Decisão costurada no Congresso também barrou a convocação de Paulo Guedes e outros ex-ministros, alimentando críticas sobre conchavos políticos

Blindado por um acordo entre parlamentares de esquerda e direita, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frei Chico, irmão do chefe do Executivo, escapou de prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). A manobra foi anunciada pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), após entendimento que envolveu governo e oposição.
Troca de conveniências
A retirada da convocação de Frei Chico foi condicionada à exclusão do nome de Paulo Guedes, ex-ministro da Economia no governo Bolsonaro. O acerto, descrito nos bastidores como um “jogo de compadres”, também deixou de fora ex-ministros ligados à área da Previdência em gestões passadas, como Henrique Meirelles e Eduardo Guardia.
O centro das suspeitas
José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, é vice-presidente do Sindinapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), uma das onze entidades apontadas em investigações sobre suposto desvio de mais de R$ 6 bilhões do INSS. O envolvimento de seu nome no caso vinha preocupando aliados do presidente Lula, que busca pavimentar o caminho para uma nova candidatura.
CPMI em xeque
A decisão de aliviar nomes de peso dividiu parlamentares e levantou questionamentos sobre a real disposição da CPMI em esclarecer o escândalo. Para críticos, a exclusão de depoentes-chave mostra que o colegiado prioriza acordos políticos em detrimento da apuração dos fatos, esvaziando o papel de fiscalização do Congresso.
A expectativa agora é acompanhar se o colegiado manterá o foco em responsabilizações efetivas ou se continuará refém de negociações que limitam o alcance das investigações.
Com informações Radar DF