PT evita CPI do Banco Master e orienta aliados a manter silêncio no Congresso

Da redação

Palácio do Planalto avalia que investigação parlamentar pode ampliar desgaste político em ano eleitoral e prefere apostar em apurações já em curso

Às vésperas de um ano eleitoral considerado decisivo, o Palácio do Planalto intensificou articulações para evitar a criação de uma CPI ou CPMI destinada a investigar o caso envolvendo o Banco Master. A avaliação de dirigentes do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de que uma comissão parlamentar neste momento pode ampliar o desgaste político do governo e atingir diretamente a imagem do chefe do Executivo, candidato à reeleição.

Nos bastidores, a orientação do partido tem sido clara: pedir aos partidos da base aliada que não façam pressão pela instalação da comissão, evitando a abertura de um novo foco de instabilidade política em pleno calendário eleitoral. O temor é que a CPI extrapole seu escopo inicial e acabe envolvendo ministros, auxiliares diretos e o próprio presidente.

Declarações no Congresso
A estratégia foi explicitada pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (29). O parlamentar afirmou que o Planalto não tem interesse na instalação de uma CPI ou CPMI para apurar o caso.

“Se depender de mim, não haverá uma CPMI ou CPI sobre este assunto”, declarou Guimarães. Segundo ele, as investigações já estariam sendo conduzidas de forma “robusta” por órgãos competentes, como a Polícia Federal e o Banco Central, o que tornaria desnecessária uma apuração paralela no Legislativo.

Uso político das CPIs
O líder governista também criticou o que classificou como uso político das comissões parlamentares de inquérito. “Questões que já estão sendo devidamente investigadas não necessitam de um levantamento adicional por meio de uma comissão que, muitas vezes, serve apenas para promover discursos políticos da oposição”, afirmou.

Estratégia de cautela
Após a repercussão de encontros entre o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes do governo no Palácio do Planalto, o Executivo passou a adotar uma postura mais cautelosa sobre o tema. A orientação interna é reduzir manifestações públicas e “pisar no freio” para evitar que o assunto ganhe proporções maiores no debate político nacional.

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Milton Gonçalves é jornalista e editor chefe do portal edibrasilia.com.br

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